segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Falando francamente !!!!



Brincadeira !!
Depois de tantas vezes feito,
Se tornaste em um especialista nisto:
- Partidas sem despedidas !!!

Porque tinha que ser assim?
Porque não se importa com minhas perguntas?
Essa indiferença em relação às minhas dores !
Essa rejeição ao quanto me representa, me define...

E agora, não saberei o que aconteceu,
As "sem-razões" da distância, das idas sem vindas.
Tanto sentir misturado em minha cabeça,
E a cruel certeza de construir meu futuro com sua ausência.

O choro entalado na garganta,
As ofensas que precisava dizer-lhe,
O amor que ainda sonhava em compartilhar;
O orgulho que intencionava lhe proporcionar,
E a sensação de que nada foi em vão !!

As carícias em minha cabeça enquanto repouso em seu colo,
O beijo na testa, e os ensinamentos que eram meus ,por direito.

Ausência é o que me sobra, é o que me torna:
- Mais uma vez...e para sempre.

E, meu desabafo, é meu modo de dizer-lhe o quanto gostaria que fosse diferente:
- Pois, depois de tudo, tantas despedidas nos roubam a habilidade de abrir o coração e falar francamente !!!



"Memorial"















O que é a vida, senão a morte em contagem regressiva?
Viver é caminhar lentamente em direção ao destino fatal de todos...

O sorriso de uma criança um dia cerrará...
As lágrimas das dores de tantos, secarão...
A exuberância de um belo corpo, desvanecerá...
A pujança arrogante de um corpo
 jovem,tarde ou não, adoecerá...

Os olhos que se abriram, se fecharão para sempre...
As palavras abundantes, silenciarão...
Preocupações, queixas, dores, aspirações; já não serão...
Pois tudo a que chamamos de vida é a prorrogação do deixar de ser...

Morbidez? Perspectiva sombria? Melancolia ?
Pergunte a cada ruga de seu rosto, a cada esforço que se torna mais pesado,
Ouça as batidas de seu coração no silêncio de seu quarto,
E tudo o que ouvirá é um brado de adiamento, uma negativa ao instante final.
Não é a vida que permanece, é a morte que, misericordiosa para com muitos, prorroga sua estadia aqui.

Ainda assim, nos iludimos na ânsia do “pra sempre”,
E, de todos os modos, tentamos eternizar as frações disso a que chamamos de viver.
Fotografias, vídeos, textos, relacionamentos, “causas humanitárias”,
Nosso jeito deprimente de lamentar nosso ser peregrino, passageiro, com fim datado.

No fundo de nossa fantasia de permanência,sim, sabemos que os sinos dobrarão,
E que, um dia, já não seremos. Que golpe cruel, esse de nos fazer ansiar por algo que não temos:
- A eternidade !!!

Contudo, ainda criamos jeitos de continuarmos aqui quando já não formos !
Nossa ambição de perpetuidade permeia tudo o que realizamos, e encontramos na história a nossa única oportunidade de vivermos para sempre:
- Na chance de sermos lembrados !!!




"Meu choro !"

Desaprendi a chorar, pelo menos com os olhos !
Perdi, e não encontrei mais, a nobre arte de encharcar um lenço.

Não que tenha me dessensibilizado, tornado-me indiferente ao que me cerca,
Ou que tenha empedernido-me, destituido-me da capacidade de afetar-me,
Talvez seja parte do processo de aprender a manifestar-me de outros modos,
Ou , talvez, desenvolvido um jeito de “chorar pra dentro”:
- Sim, talvez seja isso !!!

Então, na próxima vez que vir arpejando meu violão,
E com os olhos fechados parecer tocar outra dimensão,
Saiba, estou chorando !!

Ou quando ,ao lhe encontar, lhe abraçar bem apertado,
E beijar seu rosto como se não nos víssemos há décadas,
Saiba, estou chorando !!!

Quando, atendido por um pedinte, reparto do pouco que tenho,
E meu rosto expor a minha satisfação de ter a oportunidade de compartilhar,
Esteja certo, estou chorando !!

Se me vires gritando como um louco, em uma daquelas rodas de conversa com amigos,
Em que parecemos versados em todos os assuntos, e ingenuamente presunçosos sentenciamos sobre todas as grandes questões da humanidade:
- Ali, também choro !!!

Ah, e se visto meu manto rubro-negro, e separado pela gigante distância minimizada pela televisão, grito ensandecido o nome de estranhos que ,naquela hora, tornam-se meus amigos íntimos;
Esteja certo de que choro, choro muito, lágrimas de um campeão !!!

Talvez seja isso: aprendi a chorar de um outro jeito;o meu jeito !
Choro acordes, harmonias, dissonâncias,riffs, vocais rasgados...
Choro beijos, abraços, apertos de mão...
Muitas vezes minhas lágrimas são verbetes, crônicas, denúncias textuais...
Outras vezes, meu choro é “pão repartido”, auxílio a um desfavorecido como eu, é mão que se estende...

Talvez não seja um novo homem, mas sem dúvida, sou um outro homem;
Que não chora pelos olhos, mas sim, pela prática...meu choro transpira na pele:
- Choro pelos gestos !!!!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Viver da Arte em Itabuna - Entrevista


Matheus Patrick Santos Fagundes (Theo Fagundes); 30 anos, escolhido pela Música há 30 anos; vivo de/pela Música, existencialmente há 16 anos (momento em que percebi a urgência e necessidade dela, a Música, em tudo o que faço), e sou sustentado financeiramente pelo exercício da prática musical há exatos 2 anos.
É importante, antes de tudo, 

pontuar duas coisas importantes:
- As respostas abaixo representam a minha perspectiva (às vezes um tanto crítica e ácida), e não de uma classe inteira (“Classe” que, na verdade, só existe teoricamente);
- Sugiro a leitura da entrevista ao excelentíssimo Blog “Artistas de Itabuna”, por haver nela elementos pertinentes à suas perguntas em algumas de minhas respostas à mencionada entrevista. (http://artistasdeitabuna.blogspot.com.br/2011/02/entrevista-com-theo-fagundes.html)
1. Em sua experiência profissional, desde sempre, relate um parágrafo com base no tema:





1.A GRANDE ARTE DE SOBREVIVER DA MÚSICA EM ITABUNA

Tentarei ser sucinto, sem soar artificial !!
Se há uma tarefa em que o artista itabunense pode gloriar-se em ser exímio, é esta: a de viver da arte, nesse chão que já ficou famoso por brotar abundância de cacau, mas que para seus artistas oferece cardos e espinhos.
É claro que, há na tarefa do artista uma semelhança com qualquer outra profissão concernente à sua entrega, responsabilidade, empenho, estudo, investimento de tempo e dinheiro no aprimoramento de sua arte; pois como já bem disse o fabuloso Lenine em entrevista ao programa “Roda Viva”: “Perfeição na arte é resultado muito mais de transpiração, que de inspiração”. Ou seja: mesmo com talento, tem que ralar muito ,sempre, e sempre...! O artista, nesse caso o músico, é o seu próprio e primeiro espectador, fã e crítico...; e responsável primitivo por seu trabalho. Dito isto, o que extraí da experiência aqui me mostrou , pelo menos, três grande obstáculos que tornam a sobrevivência por meio da arte em Itabuna em uma grande “empreitada artística” (Risos). Pontuarei dois deles, pois o terceiro está inferido na resposta à sua próxima pergunta.
O primeiro obstáculo: o “contratante”.Geralmente representado pelos donos de estabelecimentos de entretenimento da cidade; tais como restaurantes, boates, bares, casas de eventos, etc. Mesmo que músicos também “lucrem” em eventos particulares, casamentos, aniversários, festas de empresas, festas públicas, ainda assim, a grande maioria de nós vivemos dos cachês da “noite itabunense”: aí temos o primeiro problema. Contratantes exploradores, ambiciosos de seu próprio lucro, donos de estabelecimentos que cobram o famoso “couvert artístico” e que depois não repassam nem mesmo ¼ do valor aos músicos. Ainda têm os maus tratos, a indelicadeza, atitudes que em sua maioria, derivam da compreensão de que o que fazemos é uma tarefa fácil, e que é uma espécie de opção pela vagabundagem, pela boemia. Não sabem eles que, uma boa parte dos músicos são pessoas como eu: possuidores de Formação Superior , e que optaram em abandonar um “futuro certo” pela satisfação de comer o pão de cada dia garantido pela sua arte.

O segundo obstáculo: o público ! Gente que não “sabe beber”, e que por isso muitas vezes são indelicados com os músicos. Não os respeitam como profissionais que são, autônomos por escolha. Não respeitam sua formação musical, suas preferências, sua individualidade como intérprete e tampouco a maestria de suas composições; e por fim, não respeitam seu repertório. Oh, gente intolerante !!! Me pergunto sempre: alguém chega em uma churrascaria e pede moqueca de peixe, ou vice-versa? E por que, se percebes que o músico segue uma “linha interpretativa” ofende-o? Sim, público intolerante; e ainda por cima, de péssimo gosto: haja visto a constante pressão para inserirmos em nossas pastas de músicas esses subprodutos, esse lixo cultural vestido de luxúria e permissividade que invadiu nosso cotidiano. Mas enfim, gosto é pessoal !!!! (risos). 



2.QUAL É O COMPROMISSO DA FICC COM OS PROFISSIONAIS DA MÚSICA EM ITABUNA? 

A FICC é mais uma ramificação da vida política _não artística_ da realidade grapiúna, com liderança escolhida conforme filiação partidária e decisão ideológica, e quem assim não proceder não permanecerá encabeçando a instituição e seus projetos cujo interesses são , em sua maioria, pessoais e em benefício de uma pequena fatia da “classe artística.
A prova mais simples de que a FICC “dança conforme a dança política”: converse com qualquer artista que participou de algum projeto nos últimos 4 anos, e não pasme se lhe responderem com a afirmação de que os últimos anos foram de um constante conflito com a Gestão do atual prefeito. Contradizendo sua própria natureza, em Itabuna, a Música, como qualquer outra manifestação artística não é livre: é “arte de cabresto”.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Se soubesse escrever...

Se soubesse escrever...
Falaria da vida que passa sem ser notada,
Do nascer e pôr do sol que já não encanta,
Do respirar tão necessário quanto esquecido,
E da estranha solidão em um mundo tão povoado.

Se soubesse escrever...
Exporia as dores engolidas e que engolem tanta gente,
Comunicaria a esperança aos que jazem à “margem”,
Provocaria o “vômito” das culpas entaladas na garganta de quem delas evade de modo tão leviano.

Se soubesse escrever...
Ah! Choraria em verso e reverso a dor da fome:
- Fome de pão, fome de água, fome de justiça, fome de amor.
Clamaria pela reconciliação das famílias, que tanto se perdem em “pazes forjadas”.
Choraria pelo desencanto de tudo: se soubesse escrever !

Se soubesse escrever...
Evocaria a atenção para o poder das coisas simples:
- O poder da verdade, da tolerância, do perdão, do amor.
E cantaria, sim, até mesmo enquanto durmo, a beleza esquecida na infância da vida: por mais cruel que esta tenha sido.

Mas não sei escrever !
Então, calo-me, e venero a passagem da vida, a passagem do sol, a respiração que agora sinto ,enquanto pulsa meu coração sedento por continuar aqui.

Choro enquanto canto as dores do mundo;
Enquanto melodiosamente harmonizo minha esperança em “gente melhor”, mundo melhor, e dias melhores.

Já que não sei escrever, peço a Deus não que abra os olhos para nós, antes que abra nossos olhos para cada gesto Dele aqui, agora, por nós, em nós, entre nós.

Mesmo que soubesse escrever, sei que preferiria não fazê-lo.
Antes, pisaria nesse “chão nosso de cada dia”, e enxugaria as lágrimas dos que choram, cantaria a morte e a vida, com a gratidão de quem entende que ambos são um só dom, tão maravilhoso quanto de curto prazo.

Preferiria sempre, deixar caneta e papel;
E sentar-me no chão como criança, em um mundo onde todos são amigos e felizes,
Onde não há fome de nada, pois tudo que é “meu” é “nosso”;
Onde “verdade”, “justiça”, “beleza”, “perdão”, “amor”, são meras palavras e conceitos de “gente grande”:
- Pois entre crianças toda virtude é gesto, é prática, é natural.

É isso ! Se soubesse escrever optaria em deixar de lado:
- Preferiria Ser simples como uma criança.

Theo Fagundes (12/12/11 às 5:35 hs AM)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Homem Primitivo Redivivo: uma versão que consegue ser pior...!



   

















         Não há mais nada a perguntar; logo já não há mais porque viver ! Sim, pois que vida é possível sem perguntas, sem questões, sem “problemas” que necessitem de exame e resolução? Que atividade pode ser chamada de “humana” se não for constituída desse nosso “diferencial”: o de questionar a origem,sentido, e finalidade das coisas?
         Já sei tanto sobre tudo ao meu redor que viver tornou-se tarefa entediante demais...; e o que sei é extremamente desestimulador. Se o que julgava ser necessário à manutenção, preservação de uma vida que dignava-se humana já está “explicado”, para que ficar aqui e ver o fim previsto? Arrogância minha? Jamais ! Arrogância contemporânea. Vejamos.
          O mundo externo _pelo menos o mais próximo possível, o que corresponde à galáxia em que estou “passando uma chuva”_ segundo os postulados de grande parte da comunidade  “científica”, tornou-se previsível nos últimos 100 anos de modo altivamente assustador.  Sim, não se conhece todo o Universo, mas “eles” já sabem que tudo é regido por “leis” irrevogáveis, previsíveis. A vida na Terra está explicada, os eventos da natureza em cada período histórico  facilmente compreendidos, alterações no clima, vegetação, populações, e até o fim de nossa espécie mais ou menos previsto. A mais antiga fábula, a da causalidade, assume o governo pleno. Não existe mais nada “lá fora”, além do que percebam nossos telescópios; e se houver ,saberemos...dizem. É o mundo da descrença na crença, e da crença na arrogância.
        O mundo interior? Ah, esse já é mais fácil de sondar que um “jogo de lego”, e as previsões sobre a conduta (que absurdo !), escolhas e decisões, afinidades, tudo já está explicado em seu “código” genético, em sua constituição neuronal, nas ramificações de neurotransmissores em sua cabeça de bagre...enfim, tudo previsto. A melancolia e a ansiedade é resultado de disfunções no sistema límbico, _uma falha da porra dos neurotransmissores de meu “juízo”_ principalmente na “recaptação” de serotonina no cérebro: dá-lhe Prozac, Pondera, Assert, Fluoxetina..., pronto, e a vida torna-se “normal”; tudo muito previsível. Impulsos suicidas? Explicado. Personalidade Psicopática? Explicado. Transtornos psicóticos e esquizofrênicos? Explicado. E o pior de tudo: não somente explicados, mas, determinados. Isso mesmo: você é do jeito que deveria ser, e será do que jeito que deverá ser...e não como queira,almeje,planeje...! É a “Neuromancia”, “Cientomancia”, “Psicomancia”. Não precisa mais ver seu destino nas cartas: é só abrir a sua cabeça; tá escondido em algum lugar aí dentro.
                É a morte da vontade; o despojo de nosso “elemento produtor” de significado: a liberdade !
            O encanto da arte se foi, pois não há mais nada de mágico, surpreendente, encantador, divino, em sua criação artística. Não há mais espanto: para quê se não foi você quem criou a maravilha que pensou ter criado? Bem; foi você, mas um outro você...um você que você não sabia ser, pois o você que conhecias é mero espetáculo predeterminado. Confuso, não é?  Se a arte necessariamente deve passar pela expressão, não me interessa mais, pois estará expressando algo que nada terá de surpreendente...! É a morte da “magia”, do compartilhamento..., da revelação.
            Justiça, advogados, promotores, leis, normas? Para que? Ah, já sei: para garantir que o predestinado assassino psicopata seja punido por matar o predestinado  “politicamente correto”. Mas, como pode alguém ser punido e responsabilizado por algo que já está nele antes mesmo de saber-se? Pergunte à Sociedade Internacional de Psiquiatria, e ao seu “CID”...!
           Religião, comunidades de fé, deus, santos, mártires? Não necessitamos mais acreditar nisso; isso é o restante a ser eliminado de uma vez por todas de nosso código genético primitivo. A “Evolução” selecionou os melhores, e estes sabem que essas coisas são para fracos, amparo para a sobrevivência da classe “ressentida”, “parasita”. Matemos Deus... já não precisamos dessa idéia ultrapassada.
           O humor, a música, o teatro, a leitura...; para que? Vai lhe ajudar em que? A rir por que uma pessoa com predisposição humorada anima um receptor predisposto equivalentemente? A emocionar-se com canções que, ao contrário do que pensava, não foram compostas por gênios e nada tinham de excepcionais, e sim por pessoas que “deveriam” nascituramente serem assim?  Ler para que se não vai torná-lo nem um milésimo diferente do que serás?
            Não...já está tudo escrito: não, não é na Bíblia, nem no Corão, ou no Bhagavad Gita; mas no “novo cânon”.
            Agora entendo o que a maioria das pessoas de minha geração já perceberam (puxa, como sou burro e lento!): se já está tudo “posto”, para que querer ver sentido nas coisas? É isso mesmo ! Vamos estudar para ganhar mais dinheiro, e assim termos quantos automóveis for possível, e possuir todos os parceiros sexuais da galáxia. Acaba com esse negócio de “Ciências Humanas”! Vamos viver a vida; beber, fumar, usar anfetaminas, psicotrópicos, ouvir não música, mas aqueles mantras que tocamos em nossos carros de som, à fim de conclamar todos ao acasalamento. Esqueçamos a tradição, os grandes pintores, escritores, músicos...bando de abestalhados! O negócio é curtir, meu irmão: aqui e agora; pois o que tiver de ser ... já é.
                É a morte do homem “contemporâneo” ! Viva ao homem primitivo !
                Tenho que ir agora,  o dia já cai, a caverna ta ficando escura, e ainda tenho que tomar o meu tacape para caçar o bicho que comeremos na refeição da noite; e depois ainda tenho que puxar a mulher pelos cabelos e reproduzir a minha espécie gloriosa...! A selva me espera !!!!!


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vide Cor Meum



Sempre falou de amor, mas nunca o conheceu
Apaixonou-se por uma mulher que jamais foi sua,
Viveu intensamente as mágoas e dores
Nem mesmo percebeu quando instalaram-se momentos alegres em sua vida:
Não acreditava na alegria, no amor, e menos ainda nas mulheres.
Era fiel à dor, súdito das paixões amputadoras.

Dedicava-se à música, respirava música; jamais tornou-se músico
Gastava-se com a família, diluía-se nela e por ela; mas nunca teve família.
Esmerou-se excruciante em ser modelo para os irmãos; porém, não ganhou irmãos
Foi cético,simpatizante,crente,crítico,descrente,cínico...agora não se importa com nada disso. Isso mesmo: importa-se com o nada, e nada mais.
Não acreditava na “fé”, nos “irmãos” , na família...e chorava seu nada com música.

Esteve de luto enquanto vivia, adoeceu quando apaixonado
Antecipou tragédias que jamais chegaram, agonizou mortes de gente que ainda ta viva
Seu coração era a agonia, a tragédia, a paixão, a morte...mas não se sabia vivo.

Amava o prazer, a bebida, o sexo, o calor de uma mulher
Mas mulheres o congelaram, sexo lhe entediou, a bebida entorpeceu-lhe
O prazer? Na verdade nunca esteve lá: eram suas projeções de carência.

Escolheu um pôr-do-sol , abraçou uma árvore,
Pôs sua canção predileta a tocar: “Veja meu coração”, dizia a canção.
Pobre homem, ousava chamar de coração o buraco aberto e exposto em seu peito !
O sol se pôs, a música tocou repetidas vezes,
A árvore abraçou-lhe com uma corda:
Enfim, pela primeira vez sentira a ânsia da vida que se preserva;
Mas isto lhe era suficiente:
- O sol se pôs nele, para ele; a arvore abraçou-lhe com a força de um nó,
A música tocava “veja meu coração”... e assim ele se pôs com o sol,
E sua vida se derramou na terra, e seu coração expôs-se aos corvos do céu
E a natureza lhe devorava o interior...e a vida deliciava-se ali... na morte,
No abraço da árvore, no cair da noite...na exposição do coração.

Morreu como desejou ter vivido !!!!





http://letras.terra.com.br/hans-zimmer/1953898/

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Canção ao melhor amigo...!




Oh, meu amigo; mais uma vez somos só nós dois
Sempre a falar você sempre a me ouvir.
Mas, que importa se somos sempre só nós dois?
Se somente contigo me sinto bem pra falar e até calar...

Oh, meu amigo; somente tu conheces o que não digo à ninguém
Antes mesmo que fale me conheces pelo toque
Ninguém me compreende como tu, meu amigo...

Às vezes tão alegre com um flamenco, ou romântico com um fado,
E nos dias de muita expressão ouves até meu rock’n roll.
Mas nos dias  que pesam as nuvens mais cinzas
Escutas também minhas lamentações,  meus choros,
As bossas, meus sambas-canções: me confortas nos momentos mais tristes.

Oh, grande amigo; perdoa não ter lhe dedicado antes essa canção
Estás sempre aqui a ouvir meu coração tão de perto,
E a honrar essa amizade que de minha parte tem sido tão ingrata.

Te prometo que à partir de hoje te honrarei muito mais do que antes
Pois assim se constrói uma amizade tão forte...!
Prometo te dedicar canções muito mais lindas que esta,
Não melodias tão simples, música tão desarranjada,
Mas é por que sei que tu entendes meu jeito simples de ser.

Amigo, obrigado por sua companhia sempre
Por nunca rejeitar o meu convite,
Estendes sempre a mão, o corpo inteiro entregas à mim:
- Meu violão...!
 

sábado, 1 de outubro de 2011

Aos de corações mais tristes: meu constante pesar




Libertar a morte presa na garrafa,
Reduzir a vida à medida do copo,
Chorar a perda, beber a alegria,
Desculpar-se da fraqueza e covardia.



Dos dias negar-se a colher o mal,
Da dureza dos golpes na noite da vida
Evadir-se na sutileza do gole;
Nutrir a “infância”, rejeitar o “crescer”,
Transformar toda a riqueza e sorte
Na eternidade mórbida de beber.

A água ardente no recipiente
Jamais abrandará o inferno do doente,
E nem mesmo o livrará do dia final
Antecipado pela magia do gole,
Provocado pela maldade do golpe,
Tragando-lhe nas ardentes águas do tédio eternal.

Liberar a vida entulhada em ti,
Reduzir a morte à grandeza da vida;
Chorar de alegria, e tragar a perda com ousadia;
Suplantar-se em vontade, curar a ferida,
Abrir os olhos, abraçar a sina; colher Todo o dia.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Lúcio*, a criança da Luz !!!



           
          
          Hoje conheci um garoto esperto, cheio de luz; o Lúcio ! Estava lá no estúdio de música _onde geralmente presto serviços como vocalista_ e acompanhava seu professor de violão, que, talentosíssimo que é, participava como baterista em um projeto musical cultural.
               Assim que o vi identifiquei-me: parecia ver-me nele quando tinha a sua idade, 12 anos. Olhar atento à tudo que o rodeava, jeitão tímido aparentado um certo desligamento, mas era somente aparência mesmo...
            Começamos a conversar sobre rock’n roll, livros e leituras, violão, e eu ali, me sentindo um “velho sábio” diante de um iniciado; transmitindo-lhe tudo que me vinha à cabeça com uma avidez que mais parecia que era minhas últimas palavras em um leito de morte ! Engraçado...! 
           “Desci” de meus modos e jeitos de “adulto” para que a “criança” me entendesse, e assim partilhasse das coisas “sagradas” que (penso eu...) compartilhava com ele. O mais surpreendente é que me entendia em tudo, criando vários “links” na conversa, governando a prosa com sua imperatriz genialidade inocente de criança. Entendi muitas coisas...aprendi mais coisas com esse meu novo amiguinho do que o próprio imagina...
            Parecia perceber com certa propriedade a antiga história de “tornar-se criança para captar as coisas do Sagrado, do Divino”. Sim, o sábio Mestre judeu tinha razão: têm que ser criança para se fartar dos frutos da Vida...!
            Não se trata de infantilização, decadência, ou falsa ingenuidade; estas coisas são secundárias, meras aparências, rótulos, enfim, coisas e discursos de “adultos”. É uma questão de ser...e somente ser. A simples abertura para o outro, sem as armaduras, disfarces, e farsas da suposta maioridade.
            Em nenhum momento senti-me tentado a contar estórias mirabolantes, interpretar um papel, esconder motivações ímpias, ou até mesmo ocultar uma grande afetividade por temor... não, nada disso. Estávamos ali, eu e o Lúcio, e tudo era luz, transparente, ingênuo, ambicioso e sedento como sonho de criança, uma troca permanente e própria. Em 40 minutos, doei e ganhei..., sem esforços cênicos, sem nada mais do que ser...! Fui criança com o Lúcio e a sua luz ( a mesma que carrega em seu próprio nome), e senti-me feliz, como poucas vezes, sendo somente eu...sendo integralmente eu, totalmente.
           Que a Luz lhe acompanhe até o fim dos seus dias, grande Lúcio, assim como o nome-título que carrega.
  

* O nome “Lúcio” deriva do termo latino “Lux”, que significa “Luz”.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A menina e o quarto dos espelhos...

                                    

          Linda: uma verdadeira semente da virtude; em todos os gêneros !!! Potencialmente, uma grande mulher; mas naquela hora, somente uma menina....linda,mas apenas uma menina.
          Sua mãe concebera-lhe e dera-lhe a luz no mesmo cômodo de sua casa: o terrível quarto dos espelhos falantes. Penso que na casa de toda mulher existe tal cômodo: esse lugar temido em que os espelhos realmente falam, e geralmente, coisas aterradoras !!! São objetos herdados de muitíssimas gerações; das matriarcas, é claro.
          Tais elementos possuem um terrível poder de sedução sobre suas possuidoras, de maneira que, quanto mais passa o tempo, mais as donzelas passam a conformar-se ao que dizem os tais espelhos.
          A bela garota foi crescendo, e sua mãe (outra vítima genealógica do terrível “monstro” do reflexo distorcido) sempre a expunha: e ela ouvia coisas ora tão grandiosas que beiravam a megalomania; ora objeções tão agressivas ao seu “ser” que a mesma ,por muitas vezes, não reconhecia-se refletida.
         Chegou a maioridade, e a menina de outrora, agora mulher, se vê diante do maior dilema de seus poucos _ e ilusórios anos: ao sair de seu “quarto existencial” ela teve a sua grande, porém necessária (ao que desejam amadurecer de verdade !), decepção: a descoberta de que, espelhos são mentirosos; de que os mesmos são “monológios” da desgraça, de uma falsa “auto-percepção”.
          Que terrível dor: quase três dezenas de vida acreditando em mentiras que a moldaram por inteiro; logo a descoberta de que todas as dimensões de sua “vida” eram pura fantasia.
          Mas a “Roda de Fortuna (deusa grega do destino humano)”, que em seus giros alucinantes muitas vezes fazem-nos pensar que a vida conspira contra nós, girou sobre a realidade da menina-agora-aprendiz-de-mulher: expulsou-lhe de seu “quarto” para ensinar-lhe a verdade sobre o auto-conhecimento e o sentido da vida: é que o verdadeiro ser das coisas, a mais pura essência necessária ao bem-viver não são aprendidas em nossos “espelhos monológicos”: aqueles em que somente nós e nós debatemos...
          Sair do “quarto” é abrir-se para a mais verdadeira possibilidade de conhecer-se, e de extrair real significado das coisas: é olhar-se em “espelhos humanos”; encontrar a verdadeira imagem de si diante do “reflexo da humanidade”; e descobrir enfim, que o Sentido relevante de tudo que fazemos e do modo como devemos aprender a ver-se e construir-se não está em nós: está fora de nós.
           É nos outros que vê-se realmente refletido, confrontado, aceito, amado....! Não trata-se comparação, antes de adequação.
           E assim a menina aprendeu que abraçar a si mesma integralmente (do jeitinho que se é), necessariamente passa pelo “abraçar a humanidade”. No fim das contas, nos vemos realmente melhores do que somos nesses “espelhos do amor” que a existência nos doa: os amigos !!
            Por isso, tenha muito cuidado ao quebrar os espelhos de sua vida: pode acabar substituindo a verdade pela ilusão; e o amor pela “associação”: e é fácil discernir quais são os melhores _ por serem reais!_  reflexos de nós mesmos...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Minha sina...

Não sabes o quanto quis
Que em ti essa espera ganhasse fim
E quanto pela primeira vez te vi
Senti o universo inteiro unir-se
Em um todo harmônico.

Seu olhar tão doce e voz serena
Dissiparam o caos que eternamente foi meu
Seu toque fazia-me rendido à tua paz
E abraçava meu mundo quando me apertava contra ti.




“Ah”, suspirei como quem chega ao fim da jornada;
Respirando o ar dos vencedores dessa batalha do amor;
Erguendo-lhe como troféu de minha glória...

Ah! Foi somente um sonho...!
Meu mundo ainda é a mesma bagunça,
E no seu não caberia minha confusão
É melhor levantar-me dessa cama
E aceitar minha sina no mundo dos acordados:
- Não encontrar quem acolha esse triste coração !!

26/04/11

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vazamentos

VAZAMENTOS

Estou deitado ,mas não durmo
sonhando,porém sem sono;
e sonho com os pesadelos do dia,
escuto vazamentos;vaza a vida vazia!

Sinto tudo vazando ,esvaindo
vida escorrendo do cálice,caindo;
noite chegando,céu desabando,chão se abrindo,
inverno apertando,solidão acochambrando,
e eu mergulhando nesse vazio infindo.

Vaza a vida vazia!E continuo a escutar os vazamentos!

E vaza do cálice o vinho
escorre a água da pia;
cai a noite e vaza o dia,
vaza,vida vazia!

De meu coração destila ódio,
de minha boca sobeja ópio;
De minha dor vaza fragilidade,
e vaza fugaz,o vigor de minha mocidade!

E vaza a vida vazia!

E escuto os vazamentos ,não estão longe,
é meu sangue derramando,
martírio tributário por quem devora,
ás custas do vazamento das consciências de gente simples,se fartando sem demora!

E vaza gente vazia!

Vazamento,sofrimento,passatempo,
no movimento do perde-tempo.
Só não vaza quem não perde tempo;quem tem como passatempo se fartar de alheios vazamentos.

E vaza vida vazia,derramando na boca do Lobo que de ti se delicia!

E despedaçado,vazo;
Quebrantado vaso,
de tanta dor,extravaso,
Amparado somente pelo Acaso;
E vaza o tão precioso vaso!

Do Amor restou-me somente lembranças;
Do Destino?Desesperança!
De Deus, saudade retraída,
Da Fé,honrosa ferida,
Da Vida,o vazio de tanto vazar-se repetida!

Cessaram os sofrimentos!Chegou a Morte cheia de contentamento,farta de beber meus vazamentos!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sobre a Música: algumas considerações...



Há alguns meses lendo, pensando, pesquisando e repensando sobre o tema, precisava organizar as considerações resultantes desse processo inquietante. Sendo assim, sigamos em frente, porém _por hora_ detendo-se à questão do “bom ou mau gosto” concernente à Música.


Será mesmo que essa não passa de mais uma “questão subjetiva”, do tipo defendido pelos que afirmam: “o que é bom gosto pra você, pode não ser pra mim”, ou vice-versa? Será que devo mesmo, a partir disto, elencar alguns Ícones das últimas três gerações _por exemplo_ juntamente a algumas produções “musicais” da contemporaneidade? Penso que não... digo que não...clamo que jamais...


Quando me deparo com alguma questão aparentemente problemática, ajo conforme aprendi com a tradição grega do ocidente: perscrutar tal questão até o seu princípio, e a partir disto reconstruí-la. Então, voltemos à Música com um olhar “panorâmico”, e percebamos o caminho que a mesma percorre na História das Civilizações.


Não pretendo reescrever a História da Música; e nem mesmo defender um “estilo” em detrimento de outro. Em tempos e épocas diferentes; entre tribos e nações que nunca tomaram conhecimento uma da outra; e em qualquer dimensão humana que tenha passado por esse nosso chão, a Música, sempre, esteve entre as manifestações mais sublimes, significativas, relevantes de cada povo. Em suas cerimônias e rituais mais importantes; nas celebrações de maior êxtase...enfim... uma forma de expressão da interioridade, uma manifestação de valores, princípios, expectativas; e por algumas vezes, um busca por contato com a Divindade.


Em seu best-seller “Uma Breve História do Mundo”, Geoffrey Blainey ,relata como figuras expostas em “parques arqueológicos” no mundo inteiro são traços marcantes que apontam para uma relação fundamental entre Homem e Música desde quando aprendemos os primeiros modos de comunicar-se, há milhares de anos. O mesmo pode ser testemunhado ao se ler “A Cidade Antiga”, de Foustel de Coulanges, onde se encontra relatos da imanência da musicalidade entre as primeiras “grandes civilizações ocidentais”.


E não seria necessário discorrer de modo prolixo aqui, falando sobre a Música na Idade Média, entre os Modernos...; pois no fim, o faria para corroborar sobre o mesmo discurso: que existe sim, um critério que demarque, afira, na discussão sobre o famoso “gosto musical”: o chamo de “critério de relevância e significado”. Minha geração é que não percebe isto...!


Não se trata de julgamento de valor moral; antes, de valor estético. Se a Música é, foi, e será sempre uma expressão de determinada cultura; ou se até mesmo “a arte imita a vida”, como já rezava o dito popular, então lamento: coitados serão meus descendentes...! Serão da geração que faz “música” com o traseiro (bunda mesmo...!), que consome lixo técnico, cultural, acima de tudo existencial, sobre o pretexto de ser uma música “diferente”, animada, um barato...! Triste geração: consome lixo como entretenimento, mas que ainda arroga-se disto.


Sim; entretenimento também compõe a musicalidade, sendo uma de suas muitas facetas; mas Música sem o que a originou, estabeleceu-a, legitimou-a como sendo essa “coisa” que tanto nos apela e constrange, não é boa mesmo...! E assim têm sido desde o princípio das eras: o homem pondo na música uma carga de valor afetivo, existencial, o que mais lhe apela individualmente, o que possui uma relevância tamanha que chegue a marcar sua própria cultura e etnia; é desse poder e fascínio da Musa Euterpe (http://pt.wikipedia.org/wiki/Musas) a que me refiro..., a capacidade de mover multidões, unir em torno de algo uma comunidade, expressar e perpetuar nas emoções as dádivas sagradas compartilhadas ali, por todos. Essa é a “Coisa” que ,por mais diferentes que sejam as manifestações culturais e temporais, atravessou toda a nossa História até aqui: essa é a “boa” Música; a que dança em todos os ritmos, mas que transcende, resiste, revoluciona, consola, transcende, humaniza, diviniza....!


Nessa minha consideração inicial está posto o primeiro “mandamento” : a Música têm como destino fatal, desde seu início, a ser significadora entre os homens; cheia de apelo e sedução para o que o exalta ...o glorifica mesmo nas tragédias, Ela é popular, por que é a alma deste povo que extravasa por meio dela, jamais supondo-se “popular” como rebaixadora de nossa grandeza humana. A Música é dádiva dos céus aos homens, é nossa, em toda a sua complexidade matemática, tanto quanto em sua simplicidade existencial; é nossa para engrandecer-nos, e por meio dela expressemos o que possuímos de mais nobre, transformador...; inverter essa ordem é repetir o que se vê em cada esquina: “música” como instrumento de humilhação, vergonha, promiscuidade, devassidão...ou no máximo de “animação”. O resultado é sempre vazio, inócuo, irrelevante, produzindo gente com as mesmas características do lixo que se presta a ouvir.


Vão me chamar de moralista, puritano, e afins...! O que é fato: Música “boa”, faz bem pra saúde; do corpo e da alma...; e isso é de bom gosto. Música “ruim”, “quem tem ouvidos, ouça (ou melhor não...risos)...”; e quem tem olhos veja: não vai precisar andar muito...! Será que é tão complicado assim?








Theo Fagundes.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Convite (Carpe Diem)

Vem, amanhã pode ser tarde,
Talvez não tenhas chance,
E o tempo lhe alcance
Sem que seja oportuno
Olhar nos olhos de quem lhe arde o peito
E enrubesce as maçãs de seu rosto,
E que cala o discurso mais ensaiado.
Vem, pois este “hoje” é o dia
De que ainda tens a garantia de colher
Os frutos do amor que alimenta seu ânimo;
E que à noite vela teu sono
Semenado nos teus sonhos
O desejo secreto de muitos “amanhãs”.


Vem, quando se ama o tempo pára,
O instante é o “sempre agora”
E o amanhã uma distante maldade.
 Este é o convite que lhe faço:
- Hoje, revele teu coração,
Pois se amanhã já não formos
Seremos na eternidade.

Desmundo


Uma dor silenciosa vaza-me por inteiro
Vejo o que pensava ser diluir-se em nada,
Sobra-me um vazio de significados
Como migalhas de uma existência que não alcanço,
E a cada amanhecer parece iniciar-se um novo "jogo de dados".

Sorte,acaso,sucesso,embaraço,
Uma corrente de fatos que não garantem sustento;
Percebo que não encontrei das coisas o fundamento.
Circunstâncias jamais explicarão o ser assim,
Que mesmo desencontrado,não me encontro abandonado de mim.

Os demônios ansiosos do dia-a-dia,
E nem mesmo os fantasmas agourentos das noites
Arrancam do tesouro secreto na alma,
Essa estranha sensação de paz e calma
Que da vida suporta os piores açoites.

Vejo coisas inauditas
Ouço sobre uma vida jamais vista,
Todos os meus sentidos estão atolados no medo,
Mas os olhos e ouvidos de que falo
São de um coração que testemunham no “Desmundo”
Seus mais preciosos segredos.

Mensuro tudo com medidas incompreensíveis,
Compreendo as coisas com amor imensurável,
De sorte que não há perda que não me acrescente,
Confrontos que não me encontrem valente,
Impressões alheias que atentem contra o que me revela o “espelho de dentro”:
- Que na vida nada há que não se redima,
E lugar em que não se encontre contentamento.

(Matheus "Theo" Fagundes).

Póstumo (Em 18/11/10, às 05:10 AM)

Vejo-me lançado no chão
Como semente que rebelou-se da algibeira,
Entregue às desventuras do tempo.
Solitário, apego-me ao último pedaço do chão que foi meu piso,
Agora, dos homens sou estrado, e dos vermes, sustento.

Última imagem do que era,
Prima assombrosa visão do que sou;
Antes ,grande terror de minha imaginação,
Que tragava como cigarro minha aurora flamejante;
Oh, Morte ! Caminhamos mais juntos do que antes,
Enquanto lança-me em rosto minha própria peregrinação.

“Remaking” de mim mesmo no além-mundo,
Crítica de uma “trama” em extremo embaralhada.
Longe de mim, questionar o Roteiro emprestado,
Mas a execução foi um grande vexame:
- Coisas mal postas, lugares errados, péssimo cenário,
E como protagonista alguém tão heróico quanto o monstro de Notre-Dame.

Ao menos um detalhe que testemunho é fiel:
- As perspectivas podem ser diferentes,
Mas a imagem permanece igual;
De quem, na vida, deixou-se sozinho jazer na morte
Enquanto o tempo feroz urgia,
Agora, morto, que não careço de companhia,
E nem mesmo distingüo entre noite e dia,
Lamento a saudade de um destino que _quem sabe?_ encontraria outra sorte.